Guia
Agosto 19, 2008
Sem sombra de dúvida eu preciso de estudo, muito estudo, para colocar a vida e a rotina nos eixos. Cursar disciplinas, participar de grupos de discussão e dar aulas é algo que acaba me obrigando a me disciplinar, pensar de maneira mais clara e dar conta de expandir os horizontes nos assuntos que discuto.
Certa vez eu li um artigo estranho que dizia que a recente necessidade de estar sempre aprendendo coisas novas acaba levando as pessoas a nunca amadurecer(!?). O autor implicava com isso duas coisas: que antigamente as pessoas não estavam em constante aprendizado; que amadurecer é endurecer certos conceitos e opiniões.
Nem preciso dizer o quanto acho isso raso e errado. As pessoas mais imaturas que eu conheço são justamente aquelas incapazes de se adaptar a qualquer mudança, eternamente presas no mesmo modo viver de quando eram adolescentes. A maturidade pode trazer um peso grande, novas dúvidas, alguma vontade de estabilidade ou de mudança. O que nela não deveria estar implícito é essa paralisia.
Parar de aprender me parece uma forma de parar, só isso.
Savoir Faire - Rocket From the Crypt
(clique para ouvir!)
That pig needs a warning
We’re out for blood
Take down and jangle
The cross ornament
It’s not the one we asked for
It’s not the one we need
Savoir faire
Savoir faire
Slammed to the pavement
Chopped up for feed
Strangled in an alley
Steam on, steam on
It’s not the one we asked for
It’s not the one we need
Savoir faire
Savoir faire
Savoir faire
Savoir faire
Oh
Oh
Savoir faire
Savoir faire
Savoir faire
Savoir faire
Savoir faire
Savoir faire
Direita
Agosto 15, 2008
eeePC - Segundas Impressões
Agosto 14, 2008

Já deixou de ser brinquedo.
Depois de quase um mês usando o eeePC 900, foi possível ter uma idéia do ele apresenta em termos de facilidades e problemas. Ainda vou ficar devendo a review, que pretendo postar junto com algumas dicas para o novo usuário, mas queria compartilhar um pouco do que é carregar um computador pra qualquer lugar.
Campo: fiz uma viagem de poucos dias no final de julho. Meu maior problema com relação às informações coletadas em campo sempre foi o trabalho triplo de tomar notas, estruturá-las em texto e depois ter que digitar tudo. Nesse caso o eee se mostrou extremamente útil: bastou gastar quarenta minutos por noite e mais algumas horas no ônibus (!) e pude chegar aqui com um relatório semi-pronto. Outras facilidades foram proporcionadas pelo eee, como o fato de poder conectar via wireless na rodoviária para cuidar de um pequeno problema que não poderia ser resolvido de outra forma.
Estudo: carregar um computador para aula é prático. No primeiro semestre do mestrado gastei dois cadernos Tilibra de 96 folhas com minhas anotações e fichamentos, feitos em sala e na biblioteca. Grande parte disso teve que ser digitado para ser entregue ou para integrar trabalhos finais. Nas primeiras aulas já foi possível digitar e estruturar as informações de maneira bem organizada, o que representa um enorme ganho de tempo.
Trabalho: usei eeePC para acompanhar duas reuniões e, como no caso das aulas, foi possível fazer as anotações com maior organização. Sem contar a ausência do problema de ter que digitar a ata depois. Além disso, acabou o problema de ter que revesar computadores quando algum problema ou sobreposição de horários acontece.
Como prometido, o eeePC garante uma experiência de mobilidade bem diferente daquela proporcionada por outros notebooks. Vejo muita gente usado palmtops que acabam funcionando apenas como um grande pen-drive ou uma tela para simples para leitura. Também sei de muitos que comprar um e acabando deixando-o sempre em casa, meio encostado. O eee traz uma experiência híbrida, que considero ideal para as minhas necessidades. Também chama pouca atenção e não necessita de uma mochila cara que é acompanhada de um letreiro gigante onde se lê “aqui tem um notebook”. Ele cabe na minha Eastpak pequena e básica - e surrada depois de mais de quase 10 anos de uso diário - o que é necessário para alguém que se desloca à pé todos os dias.
Os pontos negativos ficam por conta do suporte quase inexistente da Asus no Brasil, fazendo com que qualquer problema seja um assunto para fóruns e comunidades do Orkut. Felizmente, usuários dedicados e experientes acabam provendo um bom suporte, mas isso não é o ideal.
Vereda I
Agosto 13, 2008

…
Me impressiona o quanto a questão indígena no Brasil é tratada na base de “dois pesos, duas medidas¨. Mílicias que abrem fogo contra índios desarmados são tratadas como ilegais, mas logo depois o apresentador de jornal se esmera em dizer que os indígenas haviam adentrado em terras alheias - daí nao se explica, mas se justifica o ato. Menos de uma semana depois, numa discussão acalorada, o braço de um engenheiro é cortado. O escarcéu leva semanas de atenção, com direito a todo tipo de discussão e intriguinha a respeito de quem teria comprado os facões, de como os povos indígenas do Brasil seriam violentos, etc, etc, etc. Não sou a favor de qualquer violência desse tipo e não acho que nem nenhum dois casos tem qualquer justificativa plausível.
Só acho impressionante a sociedade nacional se questionar a respeito de uma suposta imunidade penal dos indígenas e se fechar a respeito de qualquer discussão das muitas violências que eles têm sofrido. Ontem, contabilizei o terceiro assassinato de índios por não-índios na etnia com a qual trabalho, em menos de um ano.
Durante o processo de regularização territorial, ou de “luta pela terra” como eles preferem chamar, os Xakriabá sofreram inúmeras violências- entre chacinas, roubos e expulsão de famílias. Os responsáveis e mandantes estão por aí, livres, alguns ocupando cargos de destaque na política da região. O assassinato de ontem teve motivação clara, um recado aos indígenas que se envolveram na política regional como maneira de trazer melhorias para seu povo. Os dois primeiros ficaram impunes e espero, ainda que não muito, que não seja o caso para esse. Alguma justiça há de haver.
… e duvido que o Jornal Nacional gastará mais de 2 minutos com isso.
13:19
Agosto 11, 2008
Quando não houver nada a ser dito, permaneça em silêncio. Observando todas as coisas estranhas que se reproduzem à sua frente: os eternos retornos, os padrões molares, os fatos que parecem tão naturais mas escondem o vazio detrás de si. Pensar tudo isso exige uma frieza calada, um não-diálogo com o mundo cercante. As conclusões não serão as mais confortáveis, não vão acalmar alma alguma, mas ao menos serão capazes de enterrar a dissimulação. O que reside além disso é a semente para algo novo, reluzente e distante, até que tudo se apague outra vez.
Dona Xanda
Agosto 5, 2008
12:08
Agosto 4, 2008
Nada soa mais estranho do que o familiar. Você percorre as ruas onde cresceu, onde caiu e aprendeu a andar, e percebe que, no tempo presente, elas te diminuem. Uma redução preenchida por lembranças confusas, nomes impossíveis de recordar, pessoas indesejadas, experiências quanto mais. As ruas que um dia foram convidativas, espaços livres, hoje se desenham como uma teia pegajosa, um traçado de aprisionamento. O vôo por essas vias é possível apenas em sonho… embalado por um cheiro alheio, deitando sobre a maciez de muitos goles e nuvens de fumaça espessa. Não se anda por lá sem um corpo ou um corpo à mão, sob o perigo de perder-se, de nunca encontrar o caminho de volta.
Amores Brutos #20
Agosto 2, 2008
Carta para X
Do lado de lá não há nada que reste. Que preste. Apenas os mesmos rasgos gastos, as marcas antigas daquilo que não foi. Do lado de lá não há conforto, como nunca houve nesse ou em qualquer outro. Há um bocado de conveniência, uma infelicidade residente, um muro construído em dívidas, o controle sutil. Aqui nunca houve nada que não fosse o ensaio de um delírio duplo, de uma embriaguez construída por detrás do mundo. Talvez isso não seja nada, talvez isso seja muito menos do que um tanto que não resta. Mas aqui, aqui mesmo, fundamos o império do impossível, com seu regente manco e caolho, dono da chave para todos os prazeres e sofrimentos do mundo conhecido. Agora que um exército atravessou as montanhas para carregar toda a beleza de volta para longe, para esconder aquilo que foi dentro uma toca gélida… agora eu me recolho. A hora de seguir já passou, para todos nós.

Conectar de dentro da rodoviária não deixa de ser uma experiência estranha.
Fui para longe e não volto tão cedo.












